Um cadáver no asfalto
Sem cheiro perceptível
Há pouco, atropelado
Sem vida, inesquecível
Quantas árvores tocou?
Quantas delícias comeu?
Quantas melodias cantou?
Que caminhos percorreu?
O crânio amassado
O sangue escorrendo
Cada osso quebrado
A carne apodrecendo
No ar, fumaça de carros
Flores voando ao vento
Ignorando os farrapos
No asfalto sangrento
Por entre poros escuros
Se esvai a vida
Em meio a passos duros
Sua fragância, esquecida
A ausência de sentido
Me causa assombro
Vendo o pobre perdido
Atropelado pombo